*Nando*
O cabelo ainda balançava, apesar de ele ter acabado de
passar uma cera, que ele dizia que era para manter o penteado no lugar, como a
vida dele parecia estar, toda perfeita, embrulhada para qualquer situação,
encontro, desencontro ou coincidência.
O perfurme tinha um cheiro misturado, com o cheiro da loção
de barba, do hidratante corporal e do cigarro que ele acabara de apagar.
Os olhos ainda eram de crianças, fixos, mas pedintes, como
se esperasse por algo, que ele não ousava dizer.
Falou do carro novo, que precisava comprar, dos 20
atendimentos que realizou no trabalho, falou da fome, comeu as pressas, a olhou
as pressas e a deixou divagar (sobre assuntos bobos pra ele e importantes pra
ela).
Enquanto ela falava, sobre ele, ela e a intersecção que
parecia não haver, ele olhava a TV. Passava um filme idiota, mas o cara andando
na bicicleta, prestes a colidir com o caminhão, parecia mais importante que
aquele breve romance que já havia começado, meio atrapalhado, meio
descompassado e sem lugar.
Foram dormir cedo, para ela já era tão tarde, mas pensou
"Apenas mais uma noite" e virou de costas pra ele, ainda tinha um
pouco de vinho no final da garrafa, que ele havia bebido quase toda, enquanto
fumava, a olhava de canto e assistia a TV, então ele finalizou a noite com o
restante da bebida.
Enquanto ela procurava entender, como um médico podia
fumar, beber e ser tão descuidado com sua saúde, observava o quanto ele era
cuidadoso com sua aparência, suas vestimentas, seu exterior (...)
Ela tentou dormir, ele a abraçou, ela esqueceu tudo (...)
por mais uma noite e deixou-se adormecer, no seu vício que não era o cigarro a
bebida ou um filme ruim, apenas ele (...)
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