*Nando*
O cabelo ainda balançava, apesar de ele ter acabado de passar uma cera, que ele dizia que era para manter o penteado no lugar, como a vida dele parecia estar, toda perfeita, embrulhada para qualquer situação, encontro, desencontro ou coincidência. O perfurme tinha um cheiro misturado, com o cheiro da loção de barba, do hidratante corporal e do cigarro que ele acabara de apagar. Os olhos ainda eram de crianças, fixos, mas pedintes, como se esperasse por algo, que ele não ousava dizer. Falou do carro novo, que precisava comprar, dos 20 atendimentos que realizou no trabalho, falou da fome, comeu as pressas, a olhou as pressas e a deixou divagar (sobre assuntos bobos pra ele e importantes pra ela). Enquanto ela falava, sobre ele, ela e a intersecção que parecia não haver, ele olhava a TV. Passava um filme idiota, mas o cara andando na bicicleta, prestes a colidir com o caminhão, parecia mais importante que aquele breve romance que já havia começado, meio atrapalhado, meio descompassado e s...